Quando se fala em aconchego familiar e intimidade a primeira imagem que vem na cabeça da maioria das pessoas é a das famílias italianas. Federico Fellini, grande diretor italiano falecido em 1993, deixou em película o registro do quanto a hospitalidade daquele pais está ligada a generosidade afetiva, macarronada e um bom vinho. Em Amacord por exemplo, Fellini faz um registro da família italiana na década de trinta através do olhar de um menino e traduz num documento incrível a vida naquela época. O filme reproduz as reuniões familiares regadas a uma intensidade emocional própria dos latinos, louças brancas, toalhas xadrez e muita fartura, mesmo na simplicidade das famílias retratadas. Pensando na Itália de ontem e nos filmes, não há como não se deixar entusiamar pela ideia de reproduzir um desses banquetes regados a muita troca emocional, molho de tomate e chiantti para receber quem nos é querido. A receita para a hospitalidade italiana é para lá de simples e muito barata. Tudo começa pela mesa que deve ser arrumada com cuidado e carinho, a toalha pode ser xadrez ou branca. Guardanapos de tecido brancos ou para quem insiste na praticidade, servem os de papel. é bom lembrar que nesse tipo de refeição as pessoas vão fazer, mesmo sem querer, links de memória com os filmes sobre famílias italianas, portanto não deve-se deixar escapar nenhum detalhe. Assim, os copos devem ser de pé alto, vinho e água, e apenas o garfo e os talheres de sobremesa devem constar da arrumação da mesa. A louça, pratos rasos e de sopa, se possível deve ser branca e o vinho tinto é o mais indicado. Um par de velas, um de cada lado da mesa e um buquezinho de flores do campo completam a imagem de harmonia e calor. Nesse tipo de refeição não é preciso usar faca ou colher, mas o macarrão deve ser servido em prato de sopa com o raso por baixo, o de sopa é para não se desperdiçar nem um pouquinho do molho. Com a mesa bem bonita, prepare um espaguetti ao sugo bem temperado, lembre-se de não cozinhar demais o macarrão, sirva com um queijo parmesão de boa qualidade e ralado na hora. Para a sobremesa, um mousse de chocolate servido com bolachinhas de amêndoas ou outro sabor completam o cenário. Para a paisagem sonora procure músicas com referencias italianas, modernas ou antigas, a ideia é completar o cenário da bela Itália. Não tenha vergonha de levar os convidados para a cozinha enquanto prepara a comida. Um papo gostoso nasce da intimidade, aconchego e comidinhas que antecedem o jantar, para isso a cozinha é um lugar incrível. Depois do jantar, sirva na mesa um café bem gostoso com trufinhas de chocolate e divirta-se muito com a Dolce Vita!
Lícia Arena Egger-Moellwald Doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, diretora da INTRA Consultoria & Treinamento professora da Escola de Turismo e Hospitalidade da Anhembi Morumbi e co-autora dos livros “Etiqueta Corporativa: o sucesso com bons modos” e “Competência Social: mais que etiqueta, uma questão de atitude”. Para comprar os livros ou conhecer melhor o trabalho da Lícia, visite o site www. etiqueta-corporativa.com.br
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